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Quem matou a pequena Isabella?

A ciência, mas exatamente a física quântica, vem reconhecendo a enorme participação da mente humana sobre a vida. Nada, dizem os cientistas, é tão decisivo no universo quanto a nossa participação nele. O que equivale dizer que o mundo é uma projeção da mente. Nada existe “fora” da nossa mente ou da interpretação que fazemos do mundo.

Uma vez constatado este fato, a pergunta que se faz é: se somos os criadores da nossa própria realidade porque estamos criando um universo tão mau caráter? Por que projetamos um mundo de guerras, assassinatos, estrupos e toda sorte de maldade? Por que jogamos a responsabilidade fora de nós ao mesmo tempo em que alimentamos desejos escusos e mórbidos no fundo da alma? Sempre que uma acontece uma tragédia acontece também desejo de ver e rever (e ver mais uma vez, e rever) durante semanas, e às vezes, meses a “reconstituição” dessa tragédia. A mídia é cúmplice sim, mas a mídia também é uma criação da nossa mente. Por isso somos cúmplices da mídia quando permitimos que ela explore exaustivamente a mesma tragédia.

Quantas vezes ainda teremos que matar a pequena Isabela? Até sentir plenamente satisfeito nosso instinto sanguinário? Ao repetir um fato inúmeras vezes, seja na mídia ou nas conversas em casa, não estaremos reforçando este fato? Joseph Goebbels já sabia disso quando propagava, à exaustão, o discurso sanguinário de Hitler a favor da raça ariana. Nossa mente absorve como verdade absoluta qualquer fato repetido inúmeras vezes.

Quem de nós não sonhou com um avião em chamas após a tragédia da TAM no ano passado?  Daria tudo para saber quantas vezes aquela cena do avião explodindo foi repetida na mídia. Quem não pensou em nossos filhos repetindo a cena da jovem Suzana e o namorado quando mataram os próprios pais? Quantas crianças não estarão com medo do próprio pai agora ao testemunhar dia e noite a morte da pequena Isabela?

É necessário que a notícia seja dada sim. É necessário também que haja a devida punição. Nesse e em muitos outros casos, nos sentimos todos aliviados pela sentença dada por uma justiça que, muitas vezes, anda de braços dados com a morosidade não assumida. Consternados pelas tragédias, mas peritos em dar opiniões com a dignidade de um cidadão que está vendo a coisa “de fora” (e de longe), nos deleitamos em ver todas as tragédias seja pela TV, rádio, internet e o diabo a quatro.  Mas desviamos o olhar de como nossa ânsia e desejos interferem e se propagam em progressão geométrica numa cumplicidade não explícita.

Quanta agressividade e desejos por histórias como estas ainda serão necessárias para saciar nossos apetites vorazes? Quantas tragédias ainda teremos que comungar à exaustão para reforçar uma realidade absurda como a que a mídia ajuda a criar?  Estamos ajudando a criar uma realidade doentia à medida que reforçamos, através da repetição, o mesmo tipo de comportamento da mídia?

Se somos tão poderosos como diz, e prova, a ciência quântica, reconheçamos esta capacidade para mudar a mesma realidade festejando a vida e não a morte.

  Pense nisso.  


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